quinta-feira, 12 de março de 2009

Juntos em evento, Dilma e Serra trocam críticas indiretas


Dois dos candidatos cotados para a sucessão presidencial em 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o governador de São Paulo, José Serra, trocaram críticas indiretas em seminário no ABC paulista para discutir a crise financeira internacional. Apesar das farpas, o clima foi cordial.

Dilma discursou primeiro e criticou ações do governo Fernando Henrique Cardoso, sem citar nomes. Ela afirmou que o governo anterior controlou a inflação, mas não se preocupou em baixar juros.



"Depois do Plano Real, tivemos um dos juros mais elevados do mundo. Agora temos a oportunidade de juros civilizados, sem ameaçar a estabilidade econômica."

Na sequência, ela afirmou ainda que o governo tem atualmente como uma das prioridades a redução no preço do crédito. "Essa conjuntura externa deflacionária é a oportunidade única para o Brasil passar a ter juros civilizados e sem ameaçar a estabilidade”, disse a ministra.

Antes, ao falar sobre a crise, ela havia afirmado: "O governo sempre foi parte do problema em todas as crises. Porque vinha o câmbio, a saída de capitais, e o governo quebrava. Recorria ao fundo monetário (FMI) que impunha cenário de recessão. Essa situação explica a quantidade de obras paradas. Hoje o governo é parte da solução."

Serra, que falou logo após a ministra, afirmou que governo demorou para baixar taxa de juros. "Estamos há seis meses na crise. (...) O câmbio ficou desvalorizado sem impacto na inflação. Era o momento de ter jogado juros para baixo. Passou seis meses sem política ativa. Não é possível que, no momento em que o mundo precisa ativar o crédito, o Brasil vá na mão contrária."

Dilma e Serra chegaram quase juntos ao seminário “ABC do Diálogo e do Desenvolvimento – A região unida para enfrentar a crise”, em São Bernardo.

Dilma chegou minutos antes e comentou dados do Produto Interno Bruto (PIB) com jornalistas. Durante a conversa, o governador José Serra chegou. Ela então interrompeu a entrevista e se dirigiu ao auditório ao lado do governador, que não falou com os jornalistas.


Mariana Oliveira
Do G1, em São Bernardo do Campo

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