
GARANHUNS - O deputado federal Inocêncio Oliveira (PR) bem que tentou contornar o mal-estar que provocou na base do governador Eduardo Campos (PSB), ao zerar o processo de escolha dos seus candidatos ao Senado, mas a celeuma está longe de ter um fim. Além de deixar o governador irritadíssimo com sua postura, Inocêncio também arrumou um grande problema com os aliados do socialista. O repúdio ao republicano era unânime, ontem, entre os governistas que acompanharam Eduardo neste município - leiam-se deputados, secretários e outras lideranças de peso. Tanto que Inocêncio, que participaria hoje da agenda em Jucati, no Agreste Meridional, desistiu de ir à cidade.
“O governador deu o recado bem claro (pelo secretário Fernando Bezerra Coelho/ PSB, que se reuniu com Inocêncio): quem tem as rédeas do processo sucessório é ele. Eu duvido que, se Inocêncio sair da base, os 30 prefeitos que ele diz ter deixarão de votar em Eduardo, que tem ajudado todos eles. Esse joguinho de se dizer insatisfeito é coisa da velha política que o deputado está acostumado a fazer”, disparou um graduado palaciano, que pediu anonimato.
A fonte palaciana lembrou, ainda, que Inocêncio já havia ameaçado romper com Eduardo, durante a campanha de 2006. “Na época, o governador chamou ele para uma conversa e o enquadrou”, lembrou.
Outro importante governista avaliou, em reserva, que o gesto de Inocêncio Oliveira foi uma sinalização para os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB), que cogita disputar o Governo com Eduardo, em 2010, e Sérgio Guerra (PSDB), que já recebeu o apoio do PP à sua reeleição. “Ele está com um pé lá e outro cá”, brincou.
Eduardo Campos evitou falar sobre o assunto. Em público, não deu uma palavra sobre o arroubo do aliado. Nos bastidores, entretanto, comenta-se que o governador abortou uma represália do Palácio das Princesas contra Inocêncio porque quer segurar o republicano na base. Mas a paciência do governador com Inocêncio está chegando o fim, atestam os governistas ouvidos para esta matéria.
“Inocêncio reclama, mas recebeu uma das cinco melhores secretarias (as dos Transportes, comandada pelo seu primo Sebastião Oliveira/ PR)”, sublinhou outro “eduardista” bem próximo do governador. Procurado para explicar por que não vai a Jucati, Inocêncio não retornou às ligações. O mesmo aconteceu com seus interlocutores.
Durante a passagem do governador, prefeitos, vereadores e lideranças da região pegaram carona na popularidade do socialista. E eles não saíram de junto de Eduardo um momento sequer. Tinha de suplente de vereador a pré-candidato ao Senado - o ex-prefeito João Paulo (PT) estava presente. Também levou a tiracolo o prefeito do recife. João da Costa (PT).
ARTHUR CUNHA
Enviado especial(FOLHA DE PERNAMBUCO)
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