sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dom José celebra missa em tom de despedida


A exatamente um mês de deixar a Arquidiocese de Olinda e Recife e recolher-se em convento no Agreste, o arcebispo dom José Cardoso Sobrinho despediu-se nesta quinta-feira dos fiéis celebrando a missa do centenário de proclamação de Nossa Senhora do Carmo como padroeira da capital. Agradeceu a Deus, à santa e a todos os que o apoiaram nos 24 anos de arcebispado. Durante o sermão, com direito a mensagem de bênção enviada pelo papa Bento 16, nada de surpresas: manteve o estilo sisudo e reafirmou dogmas da Igreja Católica.

Antes de iniciar a missa, dom José Cardoso afirmou à imprensa que estava feliz e satisfeito após mais de duas décadas à frente da maior arquidiocese de Pernambuco. “Foi há 24 anos, neste mesmo lugar, nesta mesma data, que comecei minha missão. E estou aqui em união para entregar o báculo a meu sucessor, dom Fernando Saburido, que é filho desta arquidiocese.” Dom Fernando, ex-bispo auxiliar de dom José e atualmente comandando a diocese de Sobral, no Ceará, assume o posto no dia 16 de agosto.

Com tranquilidade, o arcebispo comentou que encontrou força em Nossa Senhora do Carmo para “superar a emoção” de comandar, pela última vez, a maior homenagem à Virgem do Carmelo no Estado. “Essa emoção é de alegria, de ação de graças a Deus”, disse o religioso, que pertence à ordem carmelita, surgida no século 13.

Já no palco, o arcebispo defendeu que os fiéis sigam o exemplo de Maria de dedicação a Deus. “Em Nossa Senhora do Carmo temos um modelo a imitar. Deus, em seus mandamentos, diz que devemos conservar a pureza em nosso coração. Vamos demonstrar nosso amor a Deus e a Nossa Senhora evitando o pecado”, discursou.

Ao lado do irmão, o bispo de Petrolina (Sertão), dom Paulo Cardoso, o arcebispo caminhou durante toda a procissão, que saiu da Basílica do Carmo e percorreu as ruas do Centro. Milhares de fiéis seguiram o andor, que este ano apresentou uma réplica da coroa de pedras preciosas com a qual os pernambucanos presentearam a protetora do Recife em 1919.

Sem conter o choro, a empregada doméstica Júlia Alves, 58 anos, estava orgulhosa de enfrentar a multidão para acompanhar a imagem da santa. Porém a satisfação será ainda maior quando um sonho de mãe se realizar. “Meu filho é carmelita e vai ser padre em breve”, comemorava.

Outra que não reclamava do aperto era a professora Márcia Anísio da Fonseca, 28. Pelo quarto ano seguido, anda todo o percurso da procissão para agradecer pela saúde do filho Gabriel, 4. “Tive complicações no parto e ela salvou meu filho. Quem alcança graças tem que ir até o fim por ela.”

Do Jornal do Commercio

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