segunda-feira, 6 de abril de 2009

Presídio para grávidas tem quartos no lugar de celas


O presídio só para grávidas tem quartos no lugar de celas. Os bercinhos estão ao lado de camas. O banho de sol é liberado. Na cozinha, além das refeições, papinhas e mamadeiras. Mimos como xampu, sabonetes e banheirinhas nos banheiros. E, é claro: é uma prisão com bebês por toda parte. Mãe e filho ficam juntos por um ano.

“A mãe que vai ter o bebê tem que estar mais tranquila, e as agentes também têm que estar preparadas para recebê-las, para cuidar delas lá dentro”, explica a diretora do presídio, Mariana Theodossakis.

Nos outros presídios, mães, filhos e presas comuns dividem celas. A lei de execução penal determina a criação de berçários para garantir a amamentação. Mas isso a maioria dos presídios não cumpre.

“Se não fosse essa unidade, minha filha ia ser arrancada de mim lá no hospital mesmo. Isso é muito importante para a gente, porque os primeiros passinhos que a gente começa a dar, os dentinhos já começam e já sentam e as primeiras coisas que estão aprendendo ela estão do lado da gente”, diz Wagneia Silva, de 28 anos, uma das presidiárias.

Hoje 45 mães cumprem pena no lugar. Elas têm entre 18 e 24 anos e a maioria é acusada de tráfico de drogas. Dessas, 16 têm maridos que também estão presos.
“Estamos fazendo um contato com as penitenciárias, com os presídios onde eles estão presos para elas terem o direito de, pelo menos, uma vez por mês, falarem com eles pelo telefone”, explica a diretora.

Mãe festeja primeiro aniversário da filha

Adriele foi a primeira das 39 crianças que moram no lugar a ganhar a tão esperada festa do primeiro aniversário. Tudo estava sendo planejado desde janeiro, quando ela e a mãe, Juliana, chegaram ao presídio. Juliana tem 21 anos e morava com os pais e os irmãos quando foi presa na casa do namorado. Os dois são acusados de tráfico de drogas.

“Quando a gente usa o crack a gente só quer saber de fumar. Não quer saber de mais nada”, destaca a presidiária.

Na época, estava com um mês de gravidez. “Eu até assustei quando eu fiquei sabendo que eu estava grávida. Eu nem sabia como cuidava de uma criança.” Hoje ela é uma supermãe, grudada com a filha. “Sou acostumada a dormir agarradinha com ela. Eu durmo junto com ela, não deixo ela dormir no berço".



“Mais ou menos lá para o sexto, sétimo mês a gente já começa a trabalhar com a mãe a saída desse bebê próximo a um ano para que seja menos doloroso”, afirma a psicóloga Diana Mara.

As mães indicam guardiões para cuidar dos filhos. Os pais de Juliana já são os responsáveis por Adriele. Dividem os poucos minutos que têm para matar a saudade da filha e saber mais da neta.

Juliana foi para o presídio de Araxá, em Minas, e aguarda a redução da pena, de oito anos. Adriele foi para a casa dos avós, também em Araxá.

Do G1, com informações do Fantástico

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