quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Postos de combustíveis em Petrolina são alvos de assaltos

Postos de combustíveis em Petrolina, sertão do estado, têm sido alvos frequentes de assaltos à mão armada. De acordo com a polícia Civil no município, pelo menos 15 registros foram feitos desde a segunda quinzena do mês de dezembro até agora.

A forma de ataque é praticamente a mesma: homens chegam em motocicletas, anunciam o assalto e tomam dinheiro e celulares de frentistas. Para tentar chegar aos possíveis autores desse tipo de delito, já foi montada inclusive uma força-tarefa entre policiais civis e militares. "Estamos trabalhando para tentar chegar até esse marginais. Uma pessoa já foi presa e temos uma mandado de prisão já expedido. Em um primeiro momento chegamos a acreditar que era só uma quadrilha, mas hoje já temos conhecimento de que são, no mínimo, três, agindo na cidade", explica o delegado Lamartine Fontes.

Para o delegado, uma das maiores dificuldades encontradas pela polícia diz respeito à falta de auxílio dos próprios donos dos estabelecimentos comerciais. "Infelizmente, não estamos conseguindo apoio dos donos, diferentemente do que ocorreu em 2009, quando fomos procurados por donos de empresas de ônibus - que na época estavam sofrendo com assaltos. Eles ofereceram filmagens, traziam funcionários para reconhecimento de assaltantes. Com relação aos postos de combustíveis, procuramos os proprietários, pedimos que mandassem funcionários, mas a maioria se manteve inerte. Não estão interessadas em por fim nisso, e não entendemos o porquê afinal, eles estão tendo prejuízo. Nossa preocupação é quando partir para um crime contra o cliente, o funcionário? Como é que fica? Somente dois postos de combustíveis enviaram seus funcionários para o reconhecimento até agora", frisa Lamartine.

Sobre como a situação pode prejudicar as investigações, o delegado é enfático. "Dificulta muito porque não temos imagens, não temos as vítimas principais que são os frentistas, vai sendo criada uma sensação de impunidade. O problema maior é se um dia esse assaltante estiver sob efeito de drogas ou nervoso, chega ali e atira contra alguém, como é que fica? O posto vai assumir esta responsabilidade com as famílias? Temos informações que quem está arcando com o prejuízo são os gerentes e os frentistas. É importante frisar que a polícia não é onipresente, não pode dar conta da segurança sozinha. Se eles tem essas imagens, porque não disponibilizam? Já fizemos muitos apelos, mas sem muitas respostas concretas".

A polícia ainda não sabe se existe um elo de ligação entre as quadrilhas. Um frentista de um posto na área central de Petrolina - que prefere não se identificar - afirma que a situação já tem causado um certo medo e desconforto nos profissionais. "No posto em que trabalho nunca tivemos registro de ocorrência nenhum, mas tenho colegas que já sofreram tentativas até mesmo em uma única semana. Acho que deveria ter um mecanismo que pudesse proteger a nossa vida e das pessoas que vão ali, não é? Se não prenderem logo essas pessoas para servir como exemplo, a gente vai ficar num clima de insegurança, com medo das pessoas que pararem para abastecer", observa.

Roseane Albuquerque do núcleo SJCC/Petrolina
Do JC Online

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