
Foto: Chico Feitosa
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O Ypiranga entra no Campeonato Pernambucano sonhando alto. O clube de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste do Estado, soube aproveitar bem o tempo. Além de ser o primeiro a iniciar a preparação, ainda no início de novembro, e equipe conseguiu bons reforços como o meio-campo Rosembrik e o atacante Fabrício Ceará.
“O Ypiranga começou a contratar já em novembro e pegou preços melhores. A diretoria foi esperta em antecipar as contratações, porque em novembro muitos jogadores estavam parados e aceitaram a oferta do clube”, explica o técnico Rubens Monteiro, que assume o comando da equipe pela quinta vez. Este ano será a primeira passagem no início da temporada. “Antes, sempre peguei o time no meio da competição. Agora teremos tempo para trabalhar. Fizemos uma boa pré-temporada e queremos ir longe.”
De acordo com o treinador, a meta traçada é chegar no quadrangular que irá decidir o título. “Um time do interior vai chegar entre os quatro. Isto é fato. E o Ypiranga tem esse objetivo. A motivação é grande. Acredito até em mais de um time do interior neste quadrangular.”
Além de montar uma equipe forte, o técnico, que nasceu em Santa Cruz do Capibaribe, aposta na força da torcida, uma das mais apaixonadas do interior e que sempre enche o estádio Otávio Limeira Alves durante os jogos do Pernambucano.
Durante as cinco passagens pelo clube, a primeira foi em 1995, Rubens Monteiro guarda histórias de boas campanhas do clube, que por um pênalti desperdiçado pelo atacante Júnior Amorim, em 2006, não se tornou o primeiro clube do interior a conquistar um turno do Pernambucano. E outras curiosas como ter recebido um salário atrasado em pano para fazer calcinhas.
“O clube me devia um mês de salário e como a diretoria sabia que eu tinha uma fábrica de calcinhas, o presidente, que era dono de uma confecção, resolveu me pagar com lycra”, relembra.
REFORÇOS E ROSEMBRIK
Curiosidades a parte, Rubens acredita que 2010 será o ano do Ypiranga. O time contratou 18 jogadores, que se juntaram a outros formados nas categorias de base do clube e remanescentes da campanha do ano passado. Chegaram ao clube jogadores experientes como o goleiro Mondragon, um dos destaques do Pernambucano 2009, o lateral Jorge Guerra, o meio-campo Edu Chiquita, os atacantes Bebeto e Fabrício Ceará. Além do meio-campo Rosembrik, nome mais badalado do time e primeiro reforço anunciado pelo clube.
Rosembrik chegou ao Ypiranga após um período conturbado na carreira e promete reeditar o bom futebol que o fez chegar ao Palmeiras. Para ele, a passagem no clube não é encarada como um recomeço. “Continuo jogando da mesma forma. Não quero subir, nem descer. Estou aqui porque considero o Ypiranga um time grande. Muitos clubes ofereceram salários que nem chegam perto do que o Ypiranga está me pagando. Não quero dar respostas para mais ninguém. Hoje, penso mais na minha mulher e no meu filho”, afirma um pouco incomodado.
De acordo com o jogador, um clube de Santa Catarina, que ele não quis revelar, teria oferecido um salário de R$ 30 mil para ter o seu futebol. “Mas eu recusei”, diz taxativo.
Apesar de rechaçar o título de estrela do Ypiranga, Rosembrik afirma que está mais motivado do que nunca em disputar o Pernambucano. “Eu vim para ajudar, não para ser estrela. Treino e corro como todo mundo. Sempre onde joguei fui o melhor na minha posição, mas a torcida precisa entender que eu não resolvo sozinho. Assim, eu iria jogar sozinho contra 11 jogadores. Posso até ser o melhor em campo num jogo, mas isso será com a ajuda dos meus outros dez companheiros.”
Ambientado no Agreste e mesmo distante do Recife, Rosembrik sempre toca no nome do técnico Givanildo Oliveira, a quem chama de pai. De acordo com o jogador, foi com o atual treinador do Sport que o ensinou a jogar futebol. “Estou confiante porque Rubinho (Rubens Monteiro) é um técnico que me deu condições de jogar da mesma forma como fazia Givanildo, meu pai, meu velhinho”, diz.
ESTRUTURA
Além das contratações, o Ypiranga investiu pesado no gramado do estádio Limeira Alves. Toda a grama foi trocada e o campo sofreu uma elevanção de 30 centímetros. Todo o trabalho foi acompanhado por um engenheiro agrônomo, num investimento estimado em R$ 35 mil.
O elenco é composto por 28 jogadores e a folha salarial do clube é uma das mais altas entre os times do interior. De acordo com a diretoria do time, o futebol vai consumir por mês, apenas com o pagamento dos jogadores, cerca de R$ 90 mil – valor menor apenas que o do Central, que terá uma folha estimada em R$ 130 mil.
HISTÓRICO
A Sociedade Esportiva Ypiranga Futebol Clube foi fundado no dia 3 de julho de 1938, na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste do Estado. O clube se profissionalizou apenas em 1993, ao ingressar nos quadros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um ano depois, conquistou a primeira edição da Copa Pernambuco e o título da Copa dos Clubes Profissionais do Interior, o que deu condição de disputar a primeira divisão do Campeonato Pernambucano.
Em 1997, o time foi rebaixado e só voltou a elite do futebol pernambucano sete anos depois. Em 2005, o time obteve a melhor campanha no Estadual ao ficar com o 3º lugar.
FICHA
Sociedade Esportiva Ypiranga Futebol Clube
Fundação: 13/07/38
Cidade: Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste do Estado
Distância do Recife: 177km
Classificação em 2009: 7º lugar
Folha salarial: R$ 90 mil
Estádio:Otávio Limeira Alves, com capacidade para 5 mil torcedores
MASCOTE
Como está situada na cidade que é pólo de confecções do estado, o Ypiranga decidiu adotar como mascote uma máquina de costura. A ideia era simbolizar a principal atividade econômica de Santa Cruz do Capibaribe, cidade considerada como a Capital da Sulanca.
Fonte:pe360graus
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