
Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) decidiu denunciar à Justiça as cinco pessoas acusadas de assassinar a turista alemã Jennifer Marion Nadja Kloker, 22 anos, no dia 16 de fevereiro deste ano. Delma Freire, Pablo e Ferdinando Tonelli, Alexsandro Neves e Dinarte Dantas de Medeiros agora vão responder processo por formação de quadrilha e homicídio duplamente qualificado, e não triplamente qualificado como indicou a polícia.
A promotora Ana Claudia Walmsley entendeu que o crime foi planejado, com o agravante de que a vítima não ter tido chance de defesa, e por isso decidiu indiciá-los também por formação de quadrilha. A conseqüência da acusação disso é que a pena de cada um dos acusados pode dobrar.
Para Delma a situação é ainda mais complicada porque o Ministério Público entendeu que ela também deve responder por fraude processual, por ela ter falsificado documentos e ter tentado dificultar o processo, contratando uma pessoa para assumir o crime.
“Por que motivo foi esse motivo? Porque eles pretendiam receber o premio do seguro com a morte de Jennifer”, disse a promotora Ana Cláudia Paiva.
Com a denúncia do Ministério Público, começou o processo criminal que não é definitivo. Testemunhas, provas ou informações podem ser incluídas ou retiradas do processo durante as próximas etapas.
A polícia detalhou a participação de cada um dos envolvidos na terça-feira e, no mesmo dia, o juiz da Vara Criminal de São Lourenço, Djaci Salustiano de Lima, decretou a prisão preventiva de todos os acusados com a exceção de Dinarte, irmão de Delma, por entender que ele não tem planos de fugir e colaborou com as investigações.
Pablo e Ferdinando Tonelli, além de Alexsandro Neves, autor dos disparos, foram transferidos para o Centro de Observação Criminológica e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, enquanto Delma continua na Colônia Penal Feminina do Recife, no Engenho do Meio.
A motivação do crime foi confirmada pelos delegados: a existência de um seguro de vida em nome de Jennifer Kloker, cujo beneficiário seria Ferdinando Tonelli, e a guarda do filho de Jennifer e Pablo, que Delma Freire queria para si. De acordo com a delegada Gleide Ângelo, as duas não se davam e Jennifer não queria morar no Brasil, como desejavam os demais membros da família.
“Delma foi a mentora do crime desde o início. As versões eram contraditas pela própria Delma. Ela achava que sua inteligência era superior a de todos nós, já que realizava vários golpes na Itália. Ela pensou que seria assim no Brasil, mas não foi, e agora ela está encarcerada”, contou o gestor do DHPP, delegado Joselito Kherle.
“O processo criminal começa a andar agora. Agora é que as provas serão produzidas para que, juntos com as provas feitas pela polícia, sejam levados a júri popular, que não sabemos exatamente quando vai acontecer”, explicou o promotor André Múcio Rabelo.
A liberação do corpo de Jennifer Kloker, que está no Instituto Médico Legal do Recife desde o ocorrido, depende de uma autorização judicial que vai permitir sua cremação. “Estamos aguardando que o Poder Judiciário se manifeste para saber se pode liberar o corpo”, informou o delegado Alfredo Jorge.
O CRIME
Na terça-feira de Carnaval, Jennifer Kloker, 22 anos, foi morta a tiros em um suposto assalto, em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana do Recife. Conforme a investigação avançava, descobriu-se que o crime fora forjado por membros da própria família.
Três suspeitos confessaram o crime: Pablo e Ferdinando Tonelli, viúvo e sogro da vítima, respectivamente; e Alexsandro Neves, autor dos disparos, contratado pelos mandantes. Delma Freire nunca admitiu culpa no caso e disse que só falaria em juízo. Ela encontra-se presa na Colônia Penal Feminina do Recife.
A reconstituição do crime ocorreu no dia 24 de março e contou com a participação dos três suspeitos confessos. Sobre os resíduos de chumbo encontrados nas mãos de Pablo e Ferdinando, o gestor do Instituto de Criminalística, Roberto Nunes de Araújo, explicou que eles teriam apertado a mão de Alexsandro Neves após o crime. “A única explicação é a pessoa ter tido contato com a arma ou com as mãos do atirador. Nesse caso específico há relatos dos envolvidos que houve aperto de mão entre o atirador e Pablo”.
FRAUDE
Durante as investigações, um ex-presidiário foi à imprensa assumir a autoria dos disparos. Em seguida, ele desmentiu tudo e afirmou que o advogado de Delma, Célio Avelino, o teria orientado acerca do depoimento e Delma teria oferecido dinheiro para ele assumir a culpa.
A OAB chegou a notificar o advogado, mas este, após apresentar defesa, negando ter qualquer tipo de envolvimento na fraude, ficou livre de responder por um processo ético-disciplinar. Após o fato, Avelino abandonou a defesa da acusada, alegando quebra de confiança entre advogado e cliente.
O FILHO DA VÍTIMA
Roberta Freire, irmã de Pablo, retornou com o sobrinho, filho da alemã, para a Itália, onde mora, e vai dar entrada ao pedido de guarda da criança. No momento do crime, a criança, de apenas três anos, ouviu os disparos que mataram a mãe.
Da Redação do pe360graus.com
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