terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Campos: Jungmann mostra desespero


O ano de 2010 chegou e o governador Eduardo Campos (PSB) entrou, de fato, no debate político. O socialista classificou, ontem, como “meia verdade” a afirmação do deputado federal Raul Jungmann (PPS), que, entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco, o acusou de estimular a candidatura do deputado Carlos Eduardo Cadoca (PSC) à Prefeitura do Recife (PCR), em 2008, para depois abandonar o barco. “Cadoca havia saído do PMDB para um partido da base governista (PSC) e politicamente eu o ajudei a ser candidato para enfraquecer o lado de lá, já que ele foi, em 2006, o deputado federal mais votado no Recife. Mas Cadoca sabia desde o início que o nosso compromisso era com o candidato do PT(João da Costa)”, esclareceu Eduardo Campos, ao blog do jornalista Inaldo Sampaio, colunista desta Folha.


Para o governador, a intenção de Raul Jungmann foi “intrigar todos e também um sinal de desespero pelo resultado da eleição que está por vir”. “Ele foi escalado para atirar, mas acertou o alvo errado porque o próprio Cadoca vai desmenti-lo”, disparou Eduardo Campos. Em seguida, o socialista revelou que já chegou até a defender seu maior desafeto, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), quando foi atacado por Jungmann. “Ele (Jungmann) falava tão mal de Jarbas que algumas vezes eu fui obrigado a intervir para fazer a defesa do senador, mesmo sendo adversário político dele”, contou. Na entrevista, Raul Jungmann assegurou que Jarbas Vasconcelos “não era agressivo nem agredia quando foi um grande tribuno da resistência à Ditadura”.



O vice-governador João Lyra Neto (PDT) também contra-atacou Raul Jungmann. “Esse fato é absolutamente inverídico. Mas, ainda que fosse verdade, ele (Jungmann) ficou muito mal perante a classe política de Pernambuco. Quem, hoje, neste Estado, se disporia a fechar um acordo político com este deputado, sabendo que, no dia seguinte, ele pode levar o assunto aos jornais?”, questionou o secretário estadual de Saúde, cuja gestão à frente da pasta fora taxada por Jungmann de “desastrosa”.



Um “eduardista” de alta patente revelou a avaliação que o núcleo duro do Governo do Estado fez da entrevista. O objetivo de Raul Jungmann seria se viabilizar como candidato a governador da oposição, caso Jarbas Vasconcelos não entre na disputa. Além disso, seria a saída para fugir da difícil eleição proporcional que o aguarda, onde ele corre o risco de não ser reeleito, Jungmann se cacifaria junto ao tucano paulista para, em caso de vitória do governador José Serra (PSDB/São Paulo), voltar a ocupar um ministério, a exemplo do tempo em que comandou a pasta de Desenvolvimento Agrário, no Governo Fernando Henrique Cardoso.

ARTHUR CUNHA(FOLHA DE PERNAMBUCO)

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