Brasília - A dúvida sobre a participação do senador José Sarney (PMDB-AP) na disputa pela presidência do Senado provocou uma crise entre Tião Viana (PT-AC), que concorre ao cargo, e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Ontem, o petista amanheceu o dia criticando o articulador político do governo. Em conversas com jornalistas, acusou-o de só defender a sua candidatura da boca para fora, operando nos bastidores em favor do peemedebista. Para Viana, Múcio seria o responsável pela divulgação da versão de que Sarney terá o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se quiser suceder Garibaldi Alves Filho (PMDB). Versão, por sinal, cada vez mais consensual no Palácio do Planalto.
As estocadas do petista chegaram ao gabinete do ministro ainda antes do almoço. Pegaram-no de surpresa logo depois de Múcio participar de uma reunião com o chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidênciada República, Luiz Dulci. Os três discutiram formas de manter vivas as chances do petista no Senado. Contrariado com o que considerou injustiça, Múcio bateu às portas de Carvalho. O chefe de gabinete ligou para Viana para pedir explicações. "Estava de cabeça quente", afirmou o petista, que prometeu cessar os ataques.
"Tenho 20 anos de Brasília e todos sabem que não sou de fazer jogo de cena. Defendo de noite e de dia, em público e nos bastidores, que o candidato do governo é o Tião, porque essa é a orientação do presidente da República e porque entendo que a vitória dele será melhor para o equilíbrio das forças no Congresso", disse Múcio ao Correio. "Eu tenho pedido para o presidente Lula assumir o problema do Senado. Se o Tião vencer, a eleição do Michel Temer (PMDB-SP) na Câmara estará resolvida", disse. A entrada de Lula na negociação serviria para tirar um pouco a pressão sobre os ombros do ministro.
Múcio se transformou em alvo preferencial de reclamações nos poucos metros quadrados que separam o Congresso do Planalto. Ontem, foi alvejado por Tião. Na terça-feira, ouviu protestos de peemedebistas, insatisfeitos com a entrevista coletiva concedida por ele a fim de relatar a posição do governo sobre a disputa no Senado. Na entrevista, o ministro - a mando de Lula - declarou que apoia Tião. "Não falo mais com o Múcio porque ele está muito petista", reagiu um cacique peemedebista em conversa com outro senador.
As críticas do PT a Múcio vão muito além de Tião. O pano de fundo é o de sempre: disputa pelo controle da pasta, que já foi comandada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e o governador da Bahia, Jaques Wagner. "Isso aqui é um poço de contrariedade. Sou um servidor do presidente da República, sigo as ordens dele e não tenho apego ao cargo", declarou o ministro.
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