
Quem poderia imaginar? Por causa de uma brincadeira inocente, três crianças de Lagoa Grande, no Sertão do São Francisco, perderam a vida na tarde da última segunda-feira, no povoado dos Tanques.
Barreira com dois metros de altura soterrou as vítimas. Uma chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu. Foto: 7º Comando Independente da Policia Militar/Divulgação
Foram soterradas por uma barreira de quase 2 metros, depois que resolveram escavar o local arenoso com as mãos para brincar de "caverna". Todos eram primos e estavam de férias na casa do avô, de nome não revelado pelos policiais. Hemerson Caboclo da Silva, 7 anos, Daniela Macedo Caboclo, 8, faleceram no local quando o monte de areia desmoronou. Aline Mirele Caboclo Sá, 11, chegou a ser socorrida por familiares para o hospital do município, mas não resistiu.
"Infelizmente, só se salvou uma das crianças que brincava no local"
Luzivan Marques - sec. municipal
A única testemunha da tragédia também foi uma criança, conhecida apenas como Jéssica, 12, que está em estado de choque. Ela também brincava de "caverna" com os garotos e teve apenas parte das pernas soterradas quando a barreira desmoronou, por volta das 14h de anteontem. Jéssica conseguiu desvencilhar-se do barro e chamar os familiares, mas era tarde demais. O monte de terra não permitiu que as crianças respirassem. Elas sofreram lesões e ficaram encobertas pela areia. Seria até difícil encontrá-las se a menina de 12 anos não tivesse sobrevivido e chamado por socorro.
Segundo o secretário de Agricultura municipal, Luzivan Amorim Marques, dois fatos podem ter contribuido para o desmoronamento. Ele disse que era comum ver máquinas retirando areia das barreiras, naquele local, e o terreno arenoso ficava próximo de um pequeno riacho, o que tende a deixá-lo mais instável. "Infelizmente, só se salvou uma criança que brincava no local", contou. O secretário acrescentou que elas eram filhas de três irmãos, mas não soube dizer o nome dos pais das vítimas.
De acordo com informações preliminares do capitão Marcos Costa, os irmãos que perderam as crianças foram Raimundo Caboclo da Silva, Maria de Fátima Caboclo da Silva e Edvaldo Caboclo da Silva. Dois deles moram em Ipubi, município próximo de Lagoa Grande, e resolveram deixar as crianças na casa do avô, como é costume no interior durante as férias.
O policial civil Érik Soares esteve no local do acidente e defende que nenhum dos adultos seja responsabilizado criminalmente. Para ele, o que houve foi uma fatalidade. "As crianças estavam brincando de caverna, estavam escavando a barreira. Quem poderia prever isso?" questionou. Érik frisou que Aline ainda foi levada para o hospital por familiares, mas não conseguiu resistir, porque sofreu uma fratura no pescoço. Aline era a mais velha e foi enterrada em Lagoa Grande, enquanto os outros dois mais novos foram levados para Ipubi.
Vida livre - O povoado dos Tanques fica na Zona Rural, a cerca de 15 quilômetros do centro de Lagoa Grande. É um lugar simples, onde as crianças costumam brincar à vontade, sem a vigilância dos adultos, como acontece nas cidades da Região Metropolitana ou em municípios mais violentos. Esse acidente, segundo a delegacia local, foi um caso atípico se relacionado às mortes mais comuns do interior causadas por afogamento, sufocação, queimaduras, quedas, envenenamento e armas de fogo.
LagoaGrande
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